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O epílogo de toda uma história

Este texto foi escrito de Janeiro à meados de Abril de 2018.


Epílogo é uma palavra que significa conclusão, mas eu não estou aqui para fechar este blog ou para sumir novamente (apesar de existir uma grande chance de acontecer). Estou aqui hoje para encerrar uma narrativa que eu venho estendendo desde 2012, quando eu era apenas uma criança (ou será que ainda sou?).
Este post é principalmente para as meninas que, assim como eu, passaram uma boa parte da infância e pré-adolescência criando histórias e deixando marcas nesta plataforma; nós provavelmente somos mais antigas neste lugar do que grande parte das blogueiras grandes atuais, mas infelizmente nossa marca não foi grande o suficiente (exceto em nossas vidas) para nos arrastar para junto delas.
Uma boa história não precisa ser eterna, certo? 


É difícil começar a falar sobre algo que teve início 6 anos atrás, principalmente porque grande parte das memórias já estão bagunçadas na minha mente, então talvez elas não sejam a fonte mais confiável de consulta.

Olá. 
Eu sou a Julia, mas acho que a grande maioria de vocês me conhece por July ou Julianne. Podem me chamar assim se for mais confortável, eu sempre gostei dos pseudônimos e até hoje faço uso deles.
Comecei no Blogger em 2012, quando criei minha primeira história e decidi postá-la junto dos meus fanarts e com ajuda das primeiras amigas que fiz por aqui, mas apesar da relativa popularidade para a época, eu logo deixei minha página de lado para me dedicar às histórias das minhas companheiras; eu nunca me arrependi desta decisão então não levem, de forma alguma, este comentário como ofensivo.
Com a idade que eu tinha era fácil conciliar a minha diversão de criar histórias e desenhar no computador (vamos chamá-la de vida virtual ) com a minha vida pessoal (vamos chamá-la de vida real). Eu nem tinha entrado no ensino médio ainda.
Conforme os meses foram passando eu tive que dar mais atenção para a escola, para a família e para meu futuro tão incerto (até hoje o é). Depois de cerca de dois anos começou a ser extremamente difícil manter o ritmo nos blogs e como toda boa pré-adolescente eu achava que isto era o fim do mundo; eu sentia a falta de uma vida imaginária que eu tinha desenvolvido em 2012 dentro de uma página da web, e tentei por muito tempo ficar presa nela.
Mas a vida real não é tão generosa assim, nela não existem fadas, bruxas, poderes ou soluções mirabolantes para as mais diversas situações. Mas na vida real existe uma coisa que eu adorava em ambos os mundos (o da blogosfera e o da realidade): há aventura.
Conforme eu me afastava dos blogs para dar atenção ao que me cercava fora do computador, eu percebi que era um desafio ainda maior escrever a história ali, ao vivo. E eu gostava da sensação também. 
No ano de 2015, época em que tentávamos manter a nossa vida virtual de pé, me dei conta de que o pilar que não me segurava de maneira estável na internet era justamente o que não estava ali no blog, mas o que eu construía fora dele. Eu não tinha dedicação na vida real da mesma forma que eu tinha na virtual, e isto estava começando a me custar caro. 
Neste ponto, eu já tinha tomado a minha decisão de me afastar, mas nunca cheguei a verbalizar o que escolhi para quem estava ao meu redor, e talvez esse tenha sido um grande erro, pois fui uma das contribuidoras da ilusão que a volta de nossa vida virtual (da maneira que era) se tornou.

Quando criei o Sociadiet (que na época nem tinha um nome definido) eu nunca pensei em de fato postar nele (não que a ideia nunca tivesse passado pela minha cabeça, eu apenas não queria o tornar oficial), este blog foi feito para recuperar um pouco do meu conhecimento de edição de páginas virtuais que está muito enferrujado. Eu fiz algo que achei simples, mas de certa forma interessante para o design dele. 
Imaginem a minha surpresa quando recebi aqui o retorno de algumas das pessoas que fizeram parte da minha antiga vida pessoal...
Foram poucos comentários, mas muito mais do que eu esperava já que tantos anos se passaram desde o início de minha trajetória nesta grande internet. Foi relativamente incômodo pensar que uma dessas pessoas teve de comentar em anonimato (eu sempre achei que tínhamos história o suficiente para não nos sentirmos estranhas em falar uma com a outra) mas ainda assim eu sinto que a conheço, mesmo sem saber quem é. Também senti uma pontada no peito ao perceber que, após todo esse tempo de reclusão dos blogs, eu nem sequer consigo me lembrar quem é quem pelos nicknames (até hoje, meses depois dos primeiros comentários, estou sofrendo para diferenciar).

Enfim.

Escrevi este post para fazer o que eu devia ter feito há muito tempo mas enrolei. Eu não disse nada demais, escrevi sem uma linha de raciocínio, apenas o que veio na cabeça no momento. Por algum motivo, eu sinto também como se tivesse falado apenas o que precisava, já que eu sempre fui uma pessoa de frases incompletas.

O tempo que eu dei da internet me foi de fato útil, antes que me questionem isso. Não me arrependo de ter construído algo na vida real, mas também não me orgulho de ter deixado a vida virtual sem nunca ter dado a devida satisfação (nem sei se alguém ainda se importa, mas me ajuda a esvaziar a consciência). Entre as coisas que conquistei fora daqui constam a minha rala experiência (melhor pouco do que nada, certo?) em morar sozinha e há quase dois anos também fiz uma viagem internacional que me abriu novos horizontes; vendo um pequeno pedaço do mundo eu percebi que precisava conhecê-lo em seu grande pedaço e precisava me dedicar para isso, pois eu não sairia nem da minha rua sem um pouco de esforço. Meus últimos anos se passaram em páginas de livros escritas por outros autores mas que me ajudarão a escrever a história que é minha por direito (uma que não está registrada em página nenhuma, mas sim nas minhas vivências passadas, presentes e futuras). 
Ingressei em uma universidade este ano, estou criando o desenvolvimento deste longo romance ao qual pertenço. Espero que meu caminho passe por um clímax minimamente empolgante e encerre com o gosto da liberdade que nossa mente proporciona, mas que nunca apague o prólogo e o início que vocês aqui da blogosfera escreveram comigo.

Para todas as garotas que me conheceram: eu continuarei aqui para quando quiserem reler esta vida virtual que colaboramos para escrever. Eu visito nossos blogs mais do que deveria (e mais do que gostaria de admitir) em busca de ver se mais alguém tem esta mania como eu e também penso em diversas coisas para escrever e postar aqui neste cantinho, mas sejamos realistas: eu dificilmente serei completamente ativa novamente, ainda que a chance de postar esporadicamente (leia-se: uma vez na vida e outra na morte) exista.

Muito obrigada por ter lido este post até aqui, se você for uma das minhas amigas da vida virtual obrigada também por tudo e por ter me dado esta chance para falar. 
Lembrando que este não é um adeus, nunca se pode dar um adeus para as coisas que morarão dentro de si eternamente. Este foi apenas um relato de explicação e dificilmente útil que minha mente movimentada e, confesso que um pouco atormentada, precisava escrever.
Até uma data próxima, ou não,

                                                        July


Um comentário:

  1. Rapaz, estou sem palavras kkkkk demorei pra aparecer aqui, andei me dedicando a vida real também, então você deve demorar de ver esse comentário.

    Eu confesso que volta ou outra acabo abrindo os blogs, vendo o perfil de todas as pessoas que um dia já foram frequentes (ou nem tanto) e me pergunto o que aconteceu. (Foi assim que achei o seu) Algumas da pra imaginar o que houve, outras eu me pergunto se morreram.. (se estiver aí é pra você, bea) Mesmo tendo tantas coisas pra me ocupar, as vezes queria que todas tivessem "crescidos" juntas, e não que tivessem ido cada uma para um lado. Algumas pelo menos deixaram uma explicação do porquê sumiram, contato e da pra ver como elas mudaram. Nunca fui muito querida, mas essa época foi muito gostosa e esta eternizada em mim. O que eu acho uma pena mesmo é saber que tantos blogs foram excluídos, é muito nostálgico rever. Felizmente descobri como ver todas as imagens já hospedadas por mim no blog, então já ajudou muito..

    Aliás, eu sou a Vicky que não é a dona do Myssix, mas que participa dele e já usei milhões de nicks. Eu vivia trocando pois eu e a Vick temos o mesmo nome, então eu vivia me confundindo, achei melhor mudar logo, mas nunca achei um que usassem e que eu conseguisse pensar "nossa, sou eu". Agora eu já achei um, "Tori", nick que venho usado em tudo, mas nem mudo mais pra não dar trabalho kkkkkkk e também não importa mais.
    Em seu blog de pirata, minha personagem era essa: https://4.bp.blogspot.com/-KCWCZP3bSS0/W-smraKII6I/AAAAAAAAV5E/BUbzHTRpjmILIV1lWLgxZzbQW0buAzr3gCLcBGAs/s1600/Vit%25C3%25B3ria%2Bpirata%2Bcasual%2Bpose%2B2.png

    Mas é muito bom ver que você se deu ao trabalho de postar, de verdade.

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